Profissões em alta e em risco: o que dizem os estudos sobre o trabalho - Resenha crítica - 12min Originals
×

Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!

QUERO APROVEITAR 🤙
63% OFF

Operação Resgate de Metas: 63% OFF no 12Min Premium!

Novo ano, Novo você, Novos objetivos. 🥂🍾 Comece 2024 com 70% de desconto no 12min Premium!

41 leituras ·  5 avaliação média ·  10 avaliações

Profissões em alta e em risco: o que dizem os estudos sobre o trabalho - resenha crítica

translation missing: br.categories_name.radar-12min

Disponível para: Leitura online, leitura nos nossos aplicativos móveis para iPhone/Android e envio em PDF/EPUB/MOBI para o Amazon Kindle.

Editora: 12min

Resenha crítica

Todo ano, organizações internacionais, bancos e consultorias publicam listas de profissões que devem crescer e de profissões que devem encolher. Elas não ficam no papel: orientam a escolha de um curso, a decisão de trocar de área, o investimento de uma empresa em treinamento e a forma como as companhias contratam quem está começando a carreira.

Nas últimas semanas o assunto voltou ao noticiário por dois caminhos. A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, comparou o efeito da inteligência artificial sobre o emprego a "um tsunami em câmera lenta" durante as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, em Bangkok. E estudos de universidades americanas e da Fundação Getulio Vargas passaram a medir o que antes era hipótese: o que já aconteceu com os jovens que trabalham em ocupações mais expostas à tecnologia.

O que esses números medem, e por que eles não batem entre si

A primeira dificuldade de quem acompanha o assunto é que as estimativas variam enormemente. Um estudo da Universidade de Oxford, publicado em 2013, calculou que 47% dos empregos nos Estados Unidos estavam em alto risco de automação. Cinco anos depois, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico chegou a 14% dos empregos em seus países-membros, com outros 32% sujeitos a mudanças significativas. Pesquisadores brasileiros do IDados e do ISE Business School adaptaram a metodologia de Oxford ao país e chegaram a 58% dos empregos.

A diferença não é de opinião, é de método. Glenda Quintini, uma das autoras do estudo da OCDE, explicou que a principal distinção está em analisar tarefas individuais em vez do ofício inteiro: dois mecânicos com o mesmo cargo podem executar atividades muito diferentes, e só uma parte delas é automatizável.

Há ainda uma segunda armadilha de leitura. O FMI calcula que a inteligência artificial deve afetar cerca de 40% dos empregos no mundo, chegando a 60% nas economias avançadas e a 26% nos países de baixa renda. Mas "afetar" ali significa exposição, uma categoria que inclui tanto trabalhos que serão ajudados pela tecnologia quanto trabalhos ameaçados por ela. O relatório da Organização Internacional do Trabalho publicado em 2025 faz a mesma separação: um em cada quatro empregos no mundo tem algum grau de exposição à IA generativa, mas apenas 3,3% estão na faixa mais alta, em que quase todas as tarefas podem ser automatizadas. Para a OIT, o desfecho mais provável da exposição é a transformação do posto de trabalho, não a sua eliminação.

A lista que se repete há uma década

Quem acompanha esses relatórios há algum tempo reconhece os nomes. Em 2015, reportagens sobre o estudo de Oxford já citavam caixas, operadores de telemarketing e contadores entre as ocupações ameaçadas. Em 2020, o relatório do Fórum Econômico Mundial apontava retração, no Brasil, em contabilidade, processamento de dados, secretariado administrativo e caixas de banco. Em 2023, a lista de declínio começava por caixas de banco, funcionários dos Correios e operadores de entrada de dados. Na edição de 2025, feita no Brasil em parceria com a Fundação Dom Cabral, a lista traz funcionários de serviços postais, caixas bancários, operadores de entrada de dados, assistentes administrativos e operadores de telemarketing.

Do outro lado, a repetição é igualmente visível: especialistas em inteligência artificial e aprendizado de máquina, analistas e cientistas de dados, segurança da informação, sustentabilidade e energia renovável aparecem em alta em praticamente todas as edições.

As novidades são pontuais. Designers gráficos entraram na lista de declínio na edição mais recente, atribuídos ao avanço da IA generativa. E o próprio Fórum pondera que o maior crescimento em números absolutos até 2030 não virá da tecnologia, e sim de funções de linha de frente como trabalhadores rurais, motoristas de entrega e profissionais da construção civil.

O que mais oscila é o saldo projetado. Em 2020, o relatório previa mais vagas criadas do que eliminadas até 2025. Em 2023, projetou uma redução líquida de 14 milhões de postos até 2027. Em 2025, voltou a projetar saldo positivo, de 78 milhões de empregos até 2030.

O sinal mais recente, e o mais concreto

Entre todas essas estimativas, o dado que mais se repete nos estudos recentes é bem mais específico: o estreitamento das vagas para quem está começando.

Uma análise da Universidade de Stanford citada pela BBC aponta queda de 2,7% no emprego entre jovens de 22 a 25 anos nos Estados Unidos desde a popularização do ChatGPT, índice que chega a 12,8% nos setores mais expostos, como finanças, software e indústrias criativas. O mesmo levantamento mostra que a ocupação de jovens desenvolvedores de software caiu quase 20% entre o fim de 2022 e setembro de 2025.

No Brasil, o pesquisador Daniel Duque, do FGV Ibre, comparou grupos semelhantes de trabalhadores em 2022 e em 2025 com dados da Pnad Contínua, do IBGE. Brasileiros de 18 a 29 anos em profissões mais expostas à IA apresentaram chance de emprego quase 5% menor e renda quase 7% menor do que teriam num cenário anterior à tecnologia. A explicação apresentada por ele é que a IA executa bem justamente as tarefas administrativas, de apoio e de serviços básicos que costumam ser o primeiro degrau de uma carreira. O próprio pesquisador pede cautela: a janela de dados é curta e a classificação das profissões mais expostas ainda é preliminar.

Nas reuniões do FMI, o presidente de Singapura, Tharman Shanmugaratnam, que copreside o Conselho de Empregos do Banco Mundial, descreveu o mesmo fenômeno: o primeiro emprego depois da formatura enfrenta demanda menor.

Nem todo estudo vê disrupção

Esse diagnóstico está longe de ser consenso. Um levantamento do Yale University Budget Lab em parceria com o Brookings Institution analisou dados oficiais de emprego desde o lançamento do ChatGPT e concluiu que a IA generativa ainda não provocou uma disrupção maior do que a causada por transformações anteriores, como a chegada dos computadores e da internet. "Não estamos diante de um apocalipse de empregos", afirmou a pesquisadora Molly Kinder. Martha Gimbel, diretora do laboratório de Yale, reconheceu que o mercado está difícil, mas disse que a equipe não encontrou evidências de que a IA seja a causa.

O economista Ben May, da consultoria Oxford Economics, afirmou ao Financial Times que ainda não há sinais convincentes de que a alta do desemprego entre graduados seja estrutural, e observou que grandes empresas vinculam demissões à IA porque isso transmite uma mensagem mais positiva aos investidores. Stefano Scarpetta, diretor de emprego da OCDE, relatou que, ao entrevistar firmas de diferentes portes, nenhuma das que adotaram IA reduziu o emprego, e que no nível agregado não houve substituição de trabalhadores. Ele estima, por outro lado, que quase 30% dos empregos passarão por transformação profunda.

O caso brasileiro: exposição menor, despreparo maior

O FMI classifica o Brasil como caso intermediário, com 41% dos empregos expostos à inteligência artificial, abaixo das economias avançadas e acima da Índia.

Uma adaptação do estudo da OIT ao mercado brasileiro, feita pela consultoria LCA, estimou que cerca de 30% da população ocupada tem algum grau de exposição e que 5,4% estão na faixa mais alta, em que quase todas as tarefas poderiam ser automatizadas. A distribuição é desigual: entre mulheres, a proporção no nível mais alto chega a 7,8%, contra 3,6% entre homens, pela maior presença feminina em funções administrativas e de atendimento.

O ponto que os relatórios feitos no país mais repetem, porém, não é a exposição, e sim o preparo. Para o Fórum Econômico Mundial em parceria com a Fundação Dom Cabral, a lacuna de habilidades é a maior barreira à transformação dos negócios no Brasil até 2030, e quase 90% das empresas afirmam que pretendem investir em requalificação. Uma pesquisa da Cornerstone com a ABRH-SP e o Infojobs indicou outro descompasso: 79,1% dos profissionais já usam ferramentas de IA na rotina, mas apenas 23,7% dizem que suas empresas têm políticas claras sobre o tema.

As habilidades que aparecem em quase toda lista

A parte mais estável dos relatórios é a das competências. Na edição de 2025 do Fórum Econômico Mundial, o pensamento analítico segue no topo, apontado como essencial por sete em cada dez empregadores, seguido de resiliência e flexibilidade, liderança e influência social, pensamento criativo e alfabetização tecnológica. Entre as habilidades que devem ganhar importância mais rápido até 2030 estão IA e big data, redes e segurança cibernética, além de curiosidade e aprendizado contínuo.

Os empregadores estimam que 39% das principais habilidades exigidas mudem até 2030, proporção que já foi maior: em 2023, era de 44%. A combinação entre competência técnica e competência socioemocional aparece praticamente inalterada desde levantamentos bem anteriores à IA generativa, como o do LinkedIn em 2019, que colocava criatividade, persuasão, colaboração e adaptabilidade no topo da lista.

O que fazer com essa informação

As porcentagens gerais, que vão de 14% a 58% dependendo do estudo, raramente são comparáveis entre si, e três perguntas ajudam a interpretar qualquer uma delas: o estudo analisou ocupações inteiras ou tarefas? Em que país e em que período? Ele mede exposição à tecnologia ou substituição efetiva de trabalhadores? Um número de exposição alto não significa que aqueles empregos vão desaparecer, e os próprios autores costumam dizer isso.

Dois sinais mais concretos estão ao alcance de quem acompanha a própria área. O primeiro é o comportamento das vagas de entrada: se as posições de estágio, trainee e júnior na sua área estão abrindo com menos frequência do que há três anos, esse é o indicador que mais se repete nos estudos recentes, mesmo entre pesquisadores que discordam sobre a causa. O segundo é a composição das suas tarefas: vale separar o que é rotineiro e padronizado daquilo que exige julgamento, contexto e contato humano, e verificar se já existe ferramenta capaz de executar a primeira parte. Quando existe, o cenário mais provável descrito pelos relatórios é transformação da função, não fim da profissão.

Na sua área, as vagas para quem está começando continuam abrindo no mesmo ritmo de três anos atrás?

Leia e ouça grátis!

Ao se cadastrar, você ganhará um passe livre de 7 dias grátis para aproveitar tudo que o 12min tem a oferecer.

Quem escreveu o livro?

Agora o 12min também produz conteúdos próprios. 12min Originals é a ferram... (Leia mais)

Aprenda mais com o 12min

6 Milhões

De usuários já transformaram sua forma de se desenvolver

4,8 Estrelas

Média de avaliações na AppStore e no Google Play

91%

Dos usuários do 12min melhoraram seu hábito de leitura

Um pequeno investimento para uma oportunidade incrível

Cresca exponencialmente com o acesso a ideias poderosas de mais de 2.500 microbooks de não ficção.

Hoje

Comece a aproveitar toda a biblioteca que o 12min tem a oferecer.

Dia 5

Não se preocupe, enviaremos um lembrete avisando que sua trial está finalizando.

Dia 7

O período de testes acaba aqui.

Aproveite o acesso ilimitado por 7 dias. Use nosso app e continue investindo em você mesmo por menos de R$14,92 por mês, ou apenas cancele antes do fim dos 7 dias e você não será cobrado.

Inicie seu teste gratuito

Mais de 70.000 avaliações 5 estrelas

Inicie seu teste gratuito

O que a mídia diz sobre nós?